terça-feira, 9 de setembro de 2014

Quer crescer? Torne-se substituível!

Acredito que muitos já conheceram aquele profissional exemplar que entrega tudo com extrema qualidade, controla e gere bem sua equipe, é querido por muitos, consegue motivar e unir o grupo, mas que, por alguma razão, nunca é promovido para posições mais executivas. Em geral este profissional (e muitos a volta) sente-se injustiçado ao assistir a promoção de colegas que possuem um desempenho inferior ao seu na execução de demandas semelhantes.

Supondo que na empresa em que ele se encontra as promoções são realizadas por meritocracia e não por "questões políticas", o que será que ele está fazendo de errado?

Na maioria dos casos em que eu assisti esse profissional é super-requisitado e está envolvido em grande parte das decisões operacionais da empresa. É aquela pessoa que quando entra de férias faz uma falta imensa ao grupo e precisa ser contatado mesmo quando ausente para dar uma opinião ou fornecer alguma informação que só ele possui. Trata-se daquela pessoa praticamente insubstituível e que de alguma forma tem orgulho disso. É exatamente aqui que está o problema, a meu ver:

Como a organização vai promover uma pessoa que fará muita falta em sua função atual?

Como ele se comportará quando numa posição executiva, com uma equipe muito maior para gerir e controlar se tem a tendência a centralizar informação e decisões? É preciso lembrar que a empresa não paga um gestor para concentrar informações ou decisões, mas para ser responsável por elas e desenvolver um processo de forma que seu time tenha autonomia na execução do dia a dia e, além disso, que existam substitutos à altura quando este gestor se ausentar. Em resumo: o bom gestor é aquele que pode sim ser substituído, exatamente porque ele próprio preparou o terreno para sua substituição. 

Eu sugiro um teste muito simples para um gestor entender se ele pode ou não ser promovido: suma por uns tempos (férias, outros projetos, etc). Se ninguém sentir a sua falta, você está num bom caminho. O trabalho que uma empresa espera de um gestor é dotar sua equipe de independência e autonomia para a execução dos trabalhos, tudo é claro pautado por bons processos que garantam que os temas que merecem atenção especial sejam tratados no nível correto. Se a sua equipe consegue trabalhar com independência e precisa de você apenas em situações pontuais para tomada de decisão, meus parabéns, você está no caminho. Agora, se por outro lado, seu time constantemente recorre a você para esclarecer dúvidas, confirmar decisões, solicitar orientações, sinto muito, mas você ainda não pode ser promovido, afinal quem faria o seu trabalho atual? Você falhou em dois aspectos principais:
  1. Você tornou sua equipe dependente de você
  2. Você não criou um substituto

E o que fazer? Trabalhe todo dia buscando reduzir o nível relação que você possui com o dia a dia da equipe, oferecendo maior autonomia para o time e estimulando uma cultura de responsabilidade em cada um, demonstrando que você confia nas decisões de cada membro. Haverá dificuldades no início, algumas pessoas podem tomar decisões equivocadas e você será obrigado a intervir, mas sempre faça isso de uma maneira positiva, caso contrário o comportamento do teu liderado irá regredir para a antiga cultura do "valide tudo com o chefe antes". Depois de muito estimular este comportamento você perceberá que seus dias estão ficando mais leves, com menor demanda da equipe e mais tempo para dedicar às questões comerciais e estratégicas da companhia. Não esqueça também de elencar uma ou duas pessoas que são seus futuros substitutos, essas pessoas precisam ser preparadas para assumir suas responsabilidades no futuro e isso envolve conhecimento sobre o trabalho em si, bem como comportamento de gestor. 

Agora sim, enfim, você está pronto para alçar voos mais altos, pois cumpriu a sua missão em seu posto original: dotou sua equipe de processo, conhecimento e autonomia para a execução dos trabalhos. Você enfim, tornou-se substituível e está pronto para crescer!

E o que tudo isso tem a ver com inovação? Simplesmente tudo, pois a inovação dificilmente floresce num ambiente onde a estrutura de decisões é centralizada e o conhecimento limitado a um pequeno conjunto de pessoas. Não por acaso uma empresa inovadora geralmente possui excelentes gestores. 

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